Nascimento, ascendência e a família do Poeta
Eugénio de Paula Tavares nasceu na Ilha Brava, Cabo Verde, a 18 de Outubro de 1867, filho de Eugénia Roiz Nozolini Tavares e de Francisco de Paula Tavares. Eugénio foi baptizado na Igreja de S. João Baptista a 5 de Novembro do mesmo ano, pelo cónego vigário Guilherme de Magalhães Menezes, sendo sua madrinha Maria Medina de Vera Cruz.
A Família do Poeta
- Geovanni Bapttista Nozolini, natural de Itália casou com Barbara Riam, natural das Ilhas Canárias:
Filho:André Nozolini
- André Nozolini casou em 21 de Maio de 1790, na Ilha do Fogo, com Gertrudes Maria do Livramento Henriques, filha do Capitão-Môr Marcelino José Jorge Henriques e de Maria do Monte Fortunata da Fonseca Mendes Rosado:
Filhos:Maria Soledade, José Marcelino, Maria Ascenção, Maria das Dores e Caetano Nozolini.
- Maria Soledade Nozolini casou com D. Juan Roiz, natural de Espanha:
Filhos: Isabel, Maria Ascenção, Maria Soledade e Eugénia Nozolini Roiz
- Eugénia Nozolini Roiz casou com Francisco de Paula Tavares, natural de Santarém:
Filhos: Henrique de Paula TavaresHenriqueta Nozolini RoizEugénio de Paula Tavares
- Henrique de Paula Tavares (dados biográficos em investigação)
- Henriqueta Roiz Tavares casou com Sebastião José de Sena.
Filhos: Eugénia, Arminda, Henriqueta, Amélia, Francisco, João e Virgílio.
- Eugénio de Paula Tavares, casou com Guiomar Leça Tavares.
Filhos: Não deixaram descendentes biológicos
Filhos adoptivos: José e Luísa Leça Medina e Vasconcelos (sobrinhos por laços de sangue)।
A Obra de Eugénio Tavares
Eugénio Tavares foi a figura cimeira da vida cultural, política e social de Cabo Verde entre 1890 e 1930। Durante essas 3 décadas, ele dominou em todas as áreas a cultura do seu povo tendo sido o seu maior interprete até aos nosso dias. A sua vastissíma obra vai da poesia à música, da retórica à ficção, passando pelos ensaios. Durante a festa da língua portuguesa em Sintra, Corsino Fortes, poeta e antigo embaixador de Cabo Verde em Portugal, intitula-o de "Camões de Cabo Verde" e realça Eugénio Tavares de fazedor de opinião numa enorme dimensão de pensador.
Publicações da Obra de Eugénio Tavares
Mornas e cantigas crioulas: 1930
Em Viagem
Um Fabuloso Alcance
Bilhetes Postais
Cartas Cabo-verdianas (5 números/edições)
O Mal de Amor
Amor que Salva
Santificação do Beijo
Coroa de Espinhos
Desafronta
Os Cossacos
Manidjas - primeira peça da literatura cabo-verdiana na língua nativa
Peças Teatrais
A Peçonha - primeiro folhetim literário publicado na Voz de Cabo Verde
A Ceia da Parelha
Filhos Que Salvam
Contos
Maldito Telegrama
Samar
Por causa de um casamento
Guida - publicado no Jornal Alvorada, Editor Eugénio Tavares
Ocupa um lugar de destaque a Alvorada e a Voz de Cabo Verde, pelo seu valor histórico। "A Alvorada", publicado em 1900, é um dos primeiro jornais em língua portuguesa publicado por Eugénio Tavares em New Bedford, Estados Unidos da América. Neste jornal Eugénio revela o seu sonho de autonomia para Cabo Verde, sonho esse que virou realidade 75 anos depois com a declaração da indepêndencia para a Nação Cabo-verdiana. A Voz de Cabo Verde, editada por Eugénio Tavares em 1911é um orgão de comunicação que viria trazer a público as intenções da recém proclamada Républica Portuguesa, no campo da justiça, da fraternidade e do progresso. Neste jornal, encontra-se em qualidade e quantidade a colaboração de Eugénio Tavares, que o elegeu como Príncipe dos jornalistas Cabo-verdianos de todos os tempos.
Cabo Verde de luto - Morreu Eugénio Tavares
Decorria o dia 1 Junho de 1930 e pelas onze horas da manhã Eugenio Tavares sentado a uma cadeira de baloiço na sua casa da Vila Nova Sintra recebia a visita do seu amigo Pedro Castro e seu sobrinho José Medina e Vasconcelos. Os amigos vinham a um habitual cavaqueio narrar ao poeta um facto insólito e ridículo que decorria ao nível da governação da Colónia. Ouvida a história com muito interesse, os três remataram a conversa com uma estrondosa gargalhada, quando Eugénio Tavares deixou-se inclinar, fulminado por uma angina de peito.
Morria assim, subitamente, aquele que em vida sempre se riu das fraquezas e do ridículo que ensombra tantas vezes certas áreas do Poder. Toda a população se sentiu envolvida num grito de morte e de luto. Houve quem dissesse que a Brava iria acabar como o seu poeta. As ruas de Nova Sintra vestiram-se de flores para passar o cortejo fúnebre que ao som de mornas dolentes levou o seu ente querido a sepultar no cemitério do Lem. Cabo Verde inteiro vestiu-se de luto.
http://eugeniotavares.org/docs/pt/biografia/morte.html